10 julho 2006

Homem o mais inferior dos seres…..

Há aproximadamente uns 6 anos atrás fui pra Goiânia e lá passei uma semana com minha tia que estava em um leito do hospital em estado terminal de cancêr. Acompanhei de perto a melhor amiga de meu Pai, o ser mais alegre que até hoje tive oportunidade de conhecer se desfazendo aos poucos. O sofrimento que acompanhei naqueles dias era gigantesco. Não foram poucas as vezes que durante a noite eu pedia pra Deus leva-la de uma vez por todas. Fiquei revoltado com Deus, pedi pra que ele deixasse de existir na minha vida. Estava determinado que não queria um Deus daquele pra mim. Ao mesmo tempo que decidi a inexistência de Deus eu pedia para Ele aliviar a dor latente daquele ser que eu amava com um amor discreto mas intenso. Na situação em que me encontrava negaria facilmente a Deus em detrimento da cura da minha tia. Era um sofrimento desumano aquilo.
Não tenho outras lembranças de ter chorado tanto como naqueles dias. A dor que compartilhava ali era tamanha que na desesperada ansia de ver minha tia sem dores, lembro-me também de ter pensamentos onde gostaria que a doença dela fosse transferida pra mim. Era a máxima do desespero. Dias antes da minha tia partir via ali a enfermeira ir ao quarto de três em tres horas aplicar injeções de morfina, onde os efeitos já não eram mais eficazes.
Durante a noite observava ela deitada ali naquele leito, na maioria das vezes ela estava com os olhos fechados mas nunca dormindo, nunca. Parecia que estava num clamor a Deus pela sua vida. Numa daquelas noites eu ficava a pensar sobre a vida, Deus e nosso propósito aqui. Eu estava quebrado psicológicamente que acabava por mergulhar em pensamentos tão profundos que me pegava as vezes falando sozinho. Olhava para minha tia deitada ali, sofrendo com dores horríveis e ficava a pensar nos sermões que já ouvi, em todos os discursos sobre Deus e seu perdão e misericórdia e não conseguia conciliar essas idéias. Ali, naquele momento tudo que já tinha ouvido não passava de idiotice, tolos e cruéis rituais e de falsa esperança e falaciana.
O saudoso e genial Sérgio Pimenta foi muito feliz em uma das suas últimas composições, antes de ser levado também pelo cancêr: ““só quem sofreu, pode avaliar quem sofreu; pode se identificar, pode ter o mesmo sentir”.
Nesse clima todo foi que fiquei a pensar se talvez o homem não seja mesmo o mais inferior dos seres e a consciência humana a maldição recebida como herança para que tenhamos plena consciência disso.
Os animais ditos como irracionais (exceto pelo cachorro da minha amiga sarah) sim é que são elevados na sua existência. Eles tem no sentido da vida o total deconhecimento daquilos que eles são. Suas lutas desejos não ultrapassam a pífia e bendita noção de não sentir dor para se manterem vivos.
Mas eu nunca consegui ter um sentimento entorpecido pelas pessoas, nunca. As feridas e dores delas sempre me traspassaram. Desde sempre fui assim.
Acredito que a bençaõ que alguns possam receber seja exatamente o contrário disso tudo que é ter a capacidade de não sentir nada ou ainda sentir pouco pelo outros. Mas definitivamente não sou uma pessoa abençoada, não sou. Já dizia o salmista: “No dia da minha angústia, procuro o Senhor; erguem-se as minhas mãos durante a noite e não se cansam; a minha alma recusa consolar-se. ...”
Tantos sentimento trazem consigo a dor de sentir demais o sofrimehto alheio, que por fim acaba ser mais meu do que dos outros. Dessa forma apiedo-me do moribundo, do desesperado do homossexual e tantos outros, mas não pelo sentimento comum de piedade que os torna inferiores àqueles que se acham os tais, mas pelo entendimento e solidariedade de compreendê-los sem precisar taxá-los de nada.
Tantos sentimentos fazem de mim um estranho, uma pessoa esquisita e que parece estar apaixonado sempre pelos ideais errados.
Tavez o macaco, o golfinho, a formiga tenham sim um sentido para vida, mas não eu. Não posso crer que fui criado para honrar e glorificar a Deus. Me desculpem mas nunca tive vocação para burrice, tampouco para hipocrisia.
Não me atrevo a dar a resposta à pergunta “para que fui criado ?”, posso me ater, quando muito, que sou humano, apenas humano e tenho sentimentos e pensamentos humanos. Se tenho alma ou espírito, esses ainda fazem parte daquilo que me torna humano, sendo assim creio que Deus me criou. O porque disso tudo eu não sei, pra que tudo isso…nem faço idéia. E só sou estranhamente grato a Deus porque a condição humana pela qual fui criado trouxe consigo a maldição da minha consciência que de tão evoluida que é, me torna um ser inferior aos animais irraconais.
Talvez quem escreveu a história da criação como lemos em genêsis, tenha pensando nisso, que somos malditos por termos estranhamente adquirido essa conciência do bem e do mal. Melhor seria se não a tivessemos, pois tudo mais de tão sem sentido que seria, teria todo sentido. Mas ao contrario do que é, por buscarmos tantas respostas o melhor que temos é isso, a eterna dúvida que faz todo universo parecer uma escolinha onde somos diariamente motivados a crer que fomos feitos assim, para honrar e gloficar a Deus. Se não glorifico a Deus estou lá… no caldeirão do “coisa ruim”. É essa a necessidade que todos temos. Esse é consciente coletivo mais coletivo que existe (rs..).
Simplesmente ridículo. Deus sabe o que passa no meu coração e o que mais me intriga qdo escrevo tudo isso, é a reação das pessoas sabatinadas nessas “escolinha”. Mas já há tempos não ligo para esses escolados.
Bom deixa eu ir dormir, qualquer dia desses eu concluo esse texto.



fino

1 Comments:

Anonymous Sarah said...

ÍdAlo!!!
Você errou em seu texto... não é cachorro... são as cachorras: Bolinha, a mais velha, e Panck, a mais novinha alejada e atropelada!!
rsrsrs

2:52 PM  

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